Levantamentos divulgados até a manhã de 23 de outubro mostram vantagem numérica do senador em diferentes institutos. O empate apontado pelo Datafolha, entretanto, demonstra que a eleição presidencial ainda pode ser decidida por diferenças pequenas.

MEANDROS DA POLÍTICA | Análise Eleitoral | 23 de outubro de 2026

A eleição presidencial chega às suas últimas 48 horas com um cenário que merece ser observado sem exageros ou conclusões antecipadas. Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na maior parte das pesquisas nacionais, mas o equilíbrio demonstrado por diferentes institutos impede qualquer afirmação segura sobre o vencedor de domingo.

Uma compilação publicada pelo Poder360 nesta sexta-feira, 23 de outubro, reúne 17 levantamentos nacionais. Em 15 deles, Flávio aparece numericamente à frente; Lula lidera em um e o outro apresenta empate. Embora seja um indicador relevante da direção das pesquisas, a comparação reúne metodologias e períodos de entrevistas distintos.

O que dizem os levantamentos mais recentes?

O Datafolha, divulgado na noite de quinta-feira (22), registrou empate de 50% a 50% nos votos válidos. Na intenção de voto total, Flávio aparece com 47% e Lula com 46%. Outros 5% declaram voto branco ou nulo, enquanto 2% permanecem indecisos.

O instituto ouviu 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Já a pesquisa Real Time Big Data divulgada na manhã desta sexta-feira (23) aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre 19 e 22 de outubro, também com margem de erro de dois pontos percentuais.

O PoderData/Aya, divulgado no dia 22, apresenta 51% para Flávio e 49% para Lula nos votos válidos. A margem de erro é de 1,6 ponto percentual.

Por sua vez, a Quaest, publicada em 21 de outubro, encontrou 45% para Flávio e 44% para Lula nos votos totais, caracterizando empate técnico.

A vantagem existe, mas não representa vitória antecipada

A leitura conjunta dos levantamentos indica uma vantagem numérica mais frequente de Flávio Bolsonaro. Ignorar essa predominância seria deixar de reconhecer um movimento importante das pesquisas.

Entretanto, também seria equivocado apresentar essa vantagem como uma eleição resolvida.

O Datafolha mostra que a distância entre os candidatos diminuiu desde a primeira semana do segundo turno. Naquele momento, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Na rodada de 22 de outubro, os dois aparecem empatados após o arredondamento.

Essa aproximação não comprova, isoladamente, uma virada. Demonstra, porém, que a pequena diferença pode ser afetada tanto por alterações reais na preferência eleitoral quanto por variações amostrais.

O fator que pode decidir: comparecimento

Em uma eleição tão equilibrada, não basta conquistar a preferência declarada dos eleitores. É necessário que essa preferência se transforme em voto efetivo.

A abstenção no primeiro turno ultrapassou 21% do eleitorado. Esse contingente demonstra a importância da mobilização no próximo domingo.

Se os percentuais permanecerem próximos, diferenças de comparecimento entre regiões e grupos sociais poderão ter peso decisivo.

Para Lula, o desafio inclui mobilizar eleitores em regiões onde apresenta maior vantagem, especialmente no Nordeste. Para Flávio, será importante preservar a participação de seu eleitorado e consolidar o apoio identificado no Sul e no Sudeste.

Rejeição e polarização continuam presentes

As pesquisas também revelam uma disputa marcada por resistências aos dois candidatos.

O Datafolha aponta elevados índices de rejeição e mostra que 94% dos entrevistados afirmam já ter decidido seu voto. Isso reduz o espaço aparente para mudanças expressivas de preferência, mas não elimina o impacto potencial da abstenção.

A reta final será, portanto, tão importante para mobilizar apoiadores quanto para tentar conquistar eleitores ainda disponíveis.

A análise do Meandros

Os dados disponíveis até a manhã de 23 de outubro permitem três conclusões.

Primeira: Flávio Bolsonaro chega à reta final com vantagem numérica na maioria dos levantamentos considerados.

Segunda: o empate registrado pelo Datafolha e as diferenças relativamente pequenas em outros institutos mostram que a disputa permanece competitiva.

Terceira: comparecimento, mobilização regional e eventuais mudanças de última hora podem influenciar o resultado.

A eleição de domingo será decidida pelos votos efetivamente depositados nas urnas, não pela quantidade de pesquisas em que um candidato apareceu à frente.

O quadro de hoje favorece numericamente Flávio Bolsonaro, mas ainda não autoriza declarar um vencedor. Essa é a distinção essencial entre analisar pesquisas e tentar antecipar o resultado das urnas.


Fontes: Datafolha/Folha de S.Paulo (22/10, BR-09709/2026); Real Time Big Data/UOL (23/10, BR-09670/2026); PoderData/Aya (22/10, BR-07926/2026); Quaest (21/10, BR-08535/2026); compilação Poder360 publicada em 23/10/2026.

Nota metodológica: os percentuais de votos válidos e votos totais não devem ser comparados diretamente. Margens de erro, amostras e métodos variam entre institutos. As pesquisas representam as intenções declaradas nos respectivos períodos de coleta, não previsões do resultado eleitoral.

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