DataTrends, Ipespe, PoderData, AtlasIntel e Datafolha colocam o candidato do PL numericamente à frente. A menos de duas semanas do segundo turno, os levantamentos expõem o desafio do presidente para ampliar sua votação.
Por Rodini Netto | Análise do Dia
Cinco institutos diferentes, metodologias distintas e resultados que apontam na mesma direção. As pesquisas divulgadas desde o primeiro turno das eleições presidenciais colocam Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o presidente, os números representam um desafio político que não pode ser ignorado.
A pesquisa DataTrends, divulgada no domingo (11), registrou 53,1% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 46,9% para Lula. No sábado (10), o Ipespe/Abrapel havia apresentado resultado semelhante: 52,7% contra 47,3%.
O PoderData/Aya, divulgado no dia 8 e destacado novamente no noticiário de domingo, apontou 53% para Flávio e 47% para Lula.
O AtlasIntel/Bloomberg registrou 52,8% a 47,2%, enquanto o Datafolha apresentou 52% a 48%, este último resultado caracterizado por empate técnico no limite da margem de erro.
São cinco levantamentos nacionais com vantagem numérica para o candidato do PL. Isso não significa que a eleição esteja decidida, mas demonstra que o cenário apresentado não depende de uma única pesquisa.
O primeiro turno deixou um recado
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O resultado contrariou a expectativa de setores que apostavam na maior força eleitoral do presidente. Também demonstrou que a transferência automática da popularidade de Jair Bolsonaro para seu filho, antes colocada em dúvida por adversários, encontrou expressão concreta nas urnas.
Mas há uma diferença entre vencer o primeiro turno e consolidar votos suficientes para o segundo.
Lula precisa conquistar novos eleitores e reduzir os efeitos da abstenção. Flávio precisa preservar o apoio recebido e ampliar sua presença entre os segmentos nos quais encontra maior resistência.
O desgaste do governo entra na disputa
Lula concorre à reeleição carregando não apenas suas propostas, mas o julgamento dos eleitores sobre quase quatro anos de governo.
Economia, segurança pública, custo de vida e relação com o Congresso fazem parte desse julgamento. A campanha petista precisa defender sua administração enquanto tenta convencer eleitores que não votaram no presidente no primeiro turno.
Já Flávio Bolsonaro procura transformar a insatisfação com o atual governo em apoio à sua candidatura, ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre suas propostas e sua trajetória política.
Essa diferença de posicionamento ajuda a explicar o tom da campanha: Lula precisa apresentar razões para continuar; Flávio precisa demonstrar o que pretende fazer de diferente.
A abstenção pode mudar o quadro
Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno. É um contingente eleitoral expressivo diante da diferença registrada entre os candidatos.
O Nordeste permanece como importante base eleitoral de Lula, enquanto Flávio apresenta melhor desempenho nas demais regiões do país. Os levantamentos também mostram diferenças relevantes por gênero, renda e religião.
Esses recortes ajudam a compreender por que a disputa continua intensa mesmo com os resultados recentes das pesquisas.
A mobilização realizada por Lula na Avenida Paulista, no domingo, e o encontro de Flávio com lideranças políticas paulistas mostram que as duas campanhas estão concentradas em ampliar apoios e garantir comparecimento às urnas.
O que dizem os números — e o que ainda não dizem
Há um elemento central nesta análise: os cinco institutos apresentam uma vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas os levantamentos não permitem afirmar, isoladamente, que essa diferença esteja crescendo de maneira contínua.
Pesquisas realizadas por empresas diferentes não constituem uma série histórica única. E a margem de erro, especialmente no caso do Datafolha, exige cautela.
O que se pode afirmar é que Lula inicia a etapa decisiva do segundo turno diante de um quadro de pesquisas que exige recuperação eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro precisa converter a vantagem registrada nos levantamentos em votos efetivos.
O eleitor ainda tem a palavra final.
Até 25 de outubro, a campanha pode alterar o cenário. Por enquanto, porém, a fotografia das pesquisas é consistente: Flávio aparece numericamente à frente, e o desafio político de Lula está claramente colocado.
Com informações de: Poder360, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Tribunal Superior Eleitoral e Reuters.
Rodini Netto — Meandros da Política




Deixe um comentário