Iguaraçu: O plano foi discutido. Agora, alguns vereadores querem ouvir de novo — e adiar a votação

Por Rodini Netto

O Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos servidores municipais de Iguaraçu não chegou à Câmara escondido, de surpresa ou pelas portas dos fundos. Ele foi construído, apresentado e discutido. Houve tempo para ouvir, questionar, sugerir mudanças e apontar problemas.

Além disso, o plano já foi debatido em reunião administrativa, justamente com a participação das categorias interessadas. Os vereadores tiveram a oportunidade de ouvir os servidores, conhecer suas reivindicações, esclarecer dúvidas e avaliar os pontos do projeto. Essa etapa aconteceu. Não foi ignorada nem realizada às pressas.

Agora, alguns vereadores querem ampliar novamente o tempo de discussão, parece-me que sob o argumento de que precisam ser eles a ouvir, mais uma vez, as categorias. O problema é que essa proposta parece desconsiderar a reunião administrativa já realizada, como se aquele momento pudesse simplesmente ser jogado no lixo e todo o processo precisasse começar novamente.

É importante dizer com clareza: votar não significa necessariamente aprovar. Também não significa concordar com tudo. Votar é cumprir o papel para o qual o vereador foi eleito. É colocar sua posição diante da população, com responsabilidade e transparência.

Ouvir os servidores é fundamental. Mas ouvir novamente não pode se transformar em uma forma de desvalorizar o que já foi discutido ou de adiar indefinidamente uma decisão. A democracia não pode ser uma sala de espera onde o assunto fica sentado até que todos se sintam confortáveis. Em algum momento, é preciso reconhecer o que já foi feito, abrir a porta e decidir.

Imagine uma ponte construída depois de meses de planejamento. Os engenheiros analisaram o terreno, fizeram os cálculos, ouviram as pessoas e corrigiram o projeto. Quando chega o dia de atravessá-la, alguém sugere que todos voltem ao início para discutir novamente o primeiro desenho. A prudência é importante, mas também é preciso reconhecer quando a cautela deixa de proteger e começa a impedir o caminho.

O plano pode ter falhas. Pode precisar de ajustes. Pode não atender completamente às expectativas dos servidores ou da administração. Tudo isso pode e deve ser debatido. Mas o debate precisa considerar o que já foi realizado e desembocar em uma decisão. Caso contrário, ele se transforma em um rio que corre, corre, mas nunca chega ao mar.

A população tem o direito de saber o que cada vereador pensa. Os servidores têm o direito de conhecer o destino de suas carreiras. E a Câmara tem o dever de enfrentar a matéria com seriedade, sem apagar reuniões já realizadas nem esconder a responsabilidade atrás de novos adiamentos.

Há uma antiga parábola sobre um homem que encontrou uma pedra no meio da estrada. Em vez de removê-la, passou anos discutindo quem a havia colocado ali, de onde ela viera e qual seria a melhor ferramenta para tirá-la. Enquanto isso, todos continuavam desviando pelo acostamento. Um dia, alguém simplesmente pegou uma alavanca e moveu a pedra. Não resolveu tudo da vida, mas liberou o caminho.

O Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos também precisa sair do meio da estrada. Não com atropelo, mas com coragem. Não com agressividade, mas com responsabilidade. Não é preciso concordar em tudo para votar. É preciso apenas compreender que a omissão também é uma escolha — e que, muitas vezes, ela pesa mais do que uma decisão clara.

Os vereadores foram eleitos para representar a população, não para fugir dos temas difíceis. Se o plano precisa ser rejeitado, que seja rejeitado com argumentos. Se precisa ser aprovado, que seja aprovado com transparência. Se precisa de emendas, que elas sejam apresentadas e discutidas.

Mas não é razoável fingir que nada foi feito e tratar a reunião administrativa como se não tivesse existido. O diálogo já aconteceu. As categorias já tiveram espaço para se manifestar. Agora, cabe aos vereadores analisar o que foi apresentado, assumir suas posições e votar.

O que não pode acontecer é a Câmara permanecer parada diante de um assunto que já percorreu um longo caminho. A cidade não precisa de mais fumaça. Precisa de luz. E a luz, neste caso, é uma votação aberta, responsável e definitiva.

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