Igrejas invadidas, pastores presos e fiéis proibidos de cantar louvores. Regime de Xi Jinping amplia a repressão religiosa e transforma a fé independente em questão de polícia.
A perseguição religiosa na China atingiu um nível que deveria provocar indignação internacional. Sob o comando de Xi Jinping, o Partido Comunista Chinês avança sobre igrejas, restringe a pregação do Evangelho, prende líderes religiosos e chega ao ponto de interferir nas palavras utilizadas pelos cristãos durante seus louvores.
Em setembro, autoridades invadiram uma igreja doméstica na província de Anhui. Segundo a organização ChinaAid, policiais confiscaram celulares, levaram duas pregadoras para interrogatório e proibiram jovens de cantar músicas que mencionassem “Jesus”, “Deus” ou “Senhor”. No lugar dos hinos cristãos, teriam exigido canções de exaltação ao Partido Comunista.
Não se trata de uma proibição nacional dessas palavras, mas de um episódio local que revela até onde pode chegar a interferência do Estado na liberdade de culto.
E não é um caso isolado.
Desde 2025, novas normas restringem severamente a atuação religiosa na internet. Pastores não podem pregar livremente pelas redes sociais, organizar cultos virtuais ou utilizar inteligência artificial para evangelização. A divulgação de ensinamentos religiosos fica subordinada a plataformas autorizadas pelo governo.
A repressão também alcançou os templos. O pastor Zhou Zixun e sete colaboradores de uma igreja de Pequim foram detidos em setembro, sob suspeita de fraude. Na Igreja Zion, outros oito integrantes continuavam presos em setembro, depois de uma operação policial realizada em outubro de 2025. O pastor Wang Lin permanece detido, segundo denúncia divulgada pela Anistia Internacional em 8 de outubro.
Como se não bastasse, autoridades chinesas passaram a incentivar denúncias contra reuniões religiosas consideradas ilegais. Em determinadas cidades, cidadãos podem receber recompensas financeiras por informar às autoridades sobre cultos em residências, pregações e distribuição de materiais religiosos.
A legislação chinesa também passou a prever detenção administrativa de cinco a quinze dias por atividades religiosas consideradas ilegais.
O mais preocupante é a tentativa de colocar a fé sob a autoridade ideológica do Partido Comunista. Na prática, o regime pretende estabelecer onde, quando e de que maneira o cidadão pode exercer sua religião.
O governo chinês afirma garantir liberdade religiosa. Mas uma liberdade que depende da autorização política para reunir fiéis, pregar ou cantar não pode ser considerada plena.
A China é uma potência econômica, parceira comercial de inúmeras democracias, inclusive do Brasil. Isso, entretanto, não pode servir como justificativa para o silêncio diante das violações de direitos fundamentais.
A liberdade religiosa não é uma concessão generosa de governantes. É um direito humano. Vale para cristãos, muçulmanos, budistas e para quem não professa religião alguma.
Quando um governo passa a decidir se alguém pode mencionar Jesus em um louvor, o problema já não é apenas religioso. É a liberdade que está sendo perseguida.
Com informações de: ChinaAid (chinaaid.org), Human Rights Watch (hrw.org), Anistia Internacional (amnesty.org) e Administração Nacional de Assuntos Religiosos da China (sara.gov.cn).




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