Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições de 2026, uma pergunta começa a ganhar espaço nas conversas políticas: existe possibilidade de a disputa presidencial ou a eleição para o Governo do Paraná terminar já no domingo?
A resposta exige cuidado. Pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, e muito menos garantia de vitória. Os levantamentos medem a intenção de voto de uma amostra em determinado período, dentro de uma margem de erro e de uma metodologia específica. Ainda assim, o conjunto das pesquisas permite observar quão distante cada candidatura aparece, neste momento, do patamar necessário para uma vitória no primeiro turno.
A regra dos 50% dos votos válidos
Para ser eleito presidente da República ou governador no primeiro turno, o candidato precisa alcançar mais da metade dos votos válidos. Votos em branco e nulos são excluídos desse cálculo.
Por isso, não basta olhar apenas para o percentual bruto apresentado por uma pesquisa. Também é necessário considerar a parcela de eleitores que declara voto branco, nulo ou ainda não sabe em quem votar, além da própria margem de erro do levantamento.
Lula: pesquisas recentes ainda mostram números abaixo da maioria absoluta
Na disputa presidencial, os levantamentos divulgados no fim de setembro mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com percentuais diferentes conforme o instituto.
Na pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (30), Lula aparece com 39,4% no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 38,4%. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre 25 e 28 de setembro, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BR-08706/2026.
Outras pesquisas recentes também apresentam variações. Levantamentos reunidos pelo UOL mostram Lula com 39% na Quaest, 42% no BTG/Nexus, 41% na RealTime Big Data, 44% na Palver e 45,3% na Atlas/Bloomberg.
O dado objetivo é que, nos levantamentos mais recentes disponíveis, Lula aparece abaixo de 50% das intenções de voto no cenário estimulado. Isso não permite afirmar antecipadamente se haverá ou não segundo turno, porque a eleição é decidida pelos votos válidos efetivamente depositados nas urnas e as pesquisas ainda podem variar até a véspera.
Também é importante observar que pesquisas diferentes utilizam métodos, amostras e períodos de campo distintos. Por isso, diferenças entre institutos não significam necessariamente que um deles esteja certo e outro errado.
Paraná: pesquisas apresentam diferenças relevantes sobre Sergio Moro
No Paraná, o cenário para o Governo do Estado apresenta uma diferença significativa entre os levantamentos mais recentes envolvendo Sergio Moro (PL).
A pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada em 28 de setembro, apontou Moro com 46,2% das intenções de voto. Requião Filho (PDT) registrou 23,6% e Sandro Alex (PSD), 21,5%. O levantamento ouviu presencialmente 1.280 eleitores em 60 municípios entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é PR-02701/2026.
No dia seguinte, a RealTime Big Data divulgou outro levantamento, no qual Moro aparece com 36%, Sandro Alex com 28% e Requião Filho com 23%. Foram ouvidos 1.600 eleitores entre 24 e 28 de setembro, por abordagens telefônicas e digitais. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o registro é PR-04181/2026.
A diferença entre 46,2% e 36% chama atenção, mas deve ser interpretada dentro das características de cada pesquisa. Os dois levantamentos têm métodos, amostras e períodos de campo próprios.
No levantamento do Paraná Pesquisas, o percentual de Moro está numericamente próximo de 50% dos votos totais pesquisados. Isso, por si só, não significa que o candidato esteja automaticamente acima de 50% dos votos válidos. Para essa conversão seria necessário considerar corretamente os percentuais de votos brancos, nulos e as respostas que não entram no cálculo dos votos válidos, além da margem de erro.
Já a RealTime Big Data apresenta Moro em um patamar bruto inferior, o que evidencia como o retrato da disputa muda conforme o levantamento consultado.
O que é possível concluir — e o que seria precipitado
As pesquisas permitem afirmar que, neste momento, os institutos apresentam cenários diferentes sobre a proximidade das candidaturas do patamar necessário para uma vitória em primeiro turno.
Na eleição presidencial, os principais levantamentos recentes colocam Lula abaixo da maioria absoluta no cenário estimulado. No Paraná, a distância de Sergio Moro em relação ao patamar de 50% varia de forma mais acentuada entre os institutos, especialmente quando se comparam Paraná Pesquisas e RealTime Big Data.
O que os números não permitem é transformar esses dados em uma probabilidade própria do Meandros da Política, como dizer que determinado candidato tem “60% de chance” ou “30% de chance” de vencer no primeiro turno sem um modelo estatístico específico e metodologicamente demonstrado.
Também não seria correto tratar uma única pesquisa como retrato definitivo da eleição. Na reta final, mudanças de voto, abstenção, voto útil e a própria margem de erro podem alterar a relação entre a intenção declarada nas pesquisas e o resultado das urnas.
As últimas pesquisas serão importantes
Com novos levantamentos previstos para os últimos dias antes da votação, a comparação entre os institutos ganha ainda mais importância. Se diferentes pesquisas começarem a apresentar números semelhantes, haverá maior convergência no retrato da disputa. Se as diferenças permanecerem elevadas, a incerteza metodológica continuará sendo um elemento central da análise.
O dado definitivo, porém, será conhecido somente com a apuração oficial dos votos pela Justiça Eleitoral.
Como fizemos esta análise
O Meandros da Política não realizou pesquisa eleitoral e não atribuiu probabilidades próprias de vitória aos candidatos. Esta matéria compara levantamentos registrados no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle/TSE) e dados divulgados pelos respectivos institutos e veículos de comunicação. As diferenças entre pesquisas podem decorrer de metodologia, período de campo, tamanho e composição da amostra, margem de erro e forma de coleta. Pesquisa eleitoral retrata o momento em que foi realizada e não constitui previsão do resultado da eleição.
Com informações de:
UOL — pesquisas recentes para presidente
UOL — Meio/Ideia
UOL — Paraná Pesquisas para o Governo do Paraná
UOL — RealTime Big Data no Paraná
Tribunal Superior Eleitoral — regras sobre pesquisas eleitorais



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