A eleição de 2026 produziu uma mudança importante no equilíbrio das forças políticas do Paraná. O resultado não representa apenas a troca de nomes. Há uma redistribuição efetiva de cadeiras entre partidos na Assembleia Legislativa, uma renovação significativa da bancada federal e uma mudança completa nas duas vagas do Senado que estavam em disputa.
Na Assembleia Legislativa do Paraná, a fotografia mais clara da mudança aparece quando se compara a composição atual da Casa com a bancada que tomará posse em 2027. Hoje, o PSD é disparado o maior partido da Alep, com 19 deputados, enquanto o PL possui 12. A partir da próxima legislatura, os dois partidos passarão a dividir a liderança, com 14 cadeiras cada. Assembleia Legislativa do Paraná
O movimento é significativo. O PSD perde cinco deputados em relação à bancada atual, enquanto o PL acrescenta duas cadeiras. O PT também cresce, passando de seis para oito representantes. O PP sobe de cinco para seis; o Novo, de dois para três; e o Podemos apresenta uma das maiores expansões proporcionais, saltando de apenas um para três deputados.
No sentido contrário, o Republicanos passa de cinco para três cadeiras e o PDT cai de dois representantes para apenas um. O MDB permanece com dois deputados. Portanto, entre os nove partidos que hoje possuem representação na Assembleia, cinco ampliaram suas bancadas, três perderam cadeiras e apenas um permaneceu exatamente com o mesmo tamanho.
A mudança também ocorreu nos nomes. Dos 54 deputados estaduais eleitos, 23 não integram atualmente a Assembleia, enquanto 31 foram reconduzidos. Isso representa uma renovação de 42,59% da Casa. Assembleia Legislativa do Paraná
A nova composição da Alep será: PL 14, PSD 14, PT 8, PP 6, Novo 3, Podemos 3, Republicanos 3, MDB 2 e PDT 1. PL e PSD, juntos, controlarão 28 das 54 cadeiras, exatamente metade da Assembleia.
A bancada federal também muda de perfil
Na Câmara dos Deputados, o Paraná continuará com 30 representantes, mas a distribuição dessas cadeiras mudou consideravelmente em comparação com a eleição de 2022.
Na eleição anterior, o PSD havia conquistado sete vagas e era a principal força individual da bancada paranaense. A Federação Brasil da Esperança conquistou seis, o PP quatro, o União Brasil quatro e o PL apenas três. Portal da Câmara dos Deputados
Em 2026, o cenário mudou. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, conquistou novamente seis vagas. A federação formada por União Brasil e PP também alcançou seis cadeiras. O PL cresceu de três para cinco deputados.
Outro destaque é o Novo. O partido, que não havia eleito deputado federal pelo Paraná em 2022, terá agora quatro representantes. Jeffrey Chiquini, inclusive, foi o candidato a deputado federal mais votado do Paraná, com mais de 425 mil votos. Folha de S.Paulo
O PSD percorreu o caminho inverso: caiu das sete cadeiras conquistadas em 2022 para quatro agora.
Podemos e Republicanos também cresceram. Cada um havia conquistado uma vaga em 2022 e passa a ter duas. O MDB mantém uma cadeira.
Considerando individualmente os partidos eleitos, a bancada paranaense ficará assim: PL 5, PT 5, Novo 4, PSD 4, PP 4, União Brasil 2, Republicanos 2, Podemos 2, MDB 1 e PV 1. Band
A comparação precisa levar em conta também as mudanças partidárias e as federações ocorridas desde 2022. Ainda assim, duas tendências ficam claras: o crescimento do PL e, principalmente, a entrada em peso do Novo, enquanto o PSD perde espaço na representação federal paranaense.
Senado terá duas caras novas — e uma terceira mudança provocada por Moro
No Senado, a mudança é ainda mais profunda.
Em 2026 estavam em disputa as duas cadeiras conquistadas nas eleições de 2018. Os atuais mandatos de Flávio Arns e Oriovisto Guimarães terminam no início de 2027.
As urnas escolheram Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, para os mandatos de 2027 a 2035.
Filipe Barros recebeu 3.148.583 votos, ou 27,25% dos votos válidos. Deltan Dallagnol ficou com a segunda vaga, com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14%. O resultado eleitoral de Dallagnol permanece sujeito à definição final da Justiça Eleitoral sobre sua candidatura. Folha de S.Paulo
Há, porém, uma terceira alteração na bancada paranaense.
Sergio Moro não estava disputando uma cadeira de senador nesta eleição porque seu mandato, conquistado em 2022, vai até 2031. Moro, entretanto, foi eleito governador do Paraná em 2026. Com sua saída do Senado para assumir o Executivo estadual, a cadeira será ocupada por Luis Felipe Cunha, primeiro suplente da chapa eleita em 2022. Senado Federal
Isso significa que, na prática, nenhum dos três senadores que atualmente ocupam as cadeiras do Paraná deverá permanecer no Senado em 2027: Flávio Arns e Oriovisto encerram seus mandatos, e Sergio Moro deixa sua cadeira para assumir o governo.
O mapa político mudou
Quando Assembleia, Câmara e Senado são observados em conjunto, a eleição revela uma reorganização do poder político paranaense.
Na Alep, o PSD deixa de exercer sozinho uma ampla liderança numérica e passa a dividir a condição de maior bancada com o PL. O PT amplia sua representação, enquanto Podemos e Novo também crescem.
Em Brasília, o PL aumenta sua bancada federal de três para cinco integrantes e o Novo sai de nenhuma cadeira conquistada em 2022 para quatro deputados. O PSD, por sua vez, recua de sete para quatro.
No Senado, Filipe Barros e Deltan Dallagnol substituem os ocupantes das duas vagas eleitas em 2018. A eleição de Sergio Moro para governador ainda provoca uma substituição adicional.
Não houve apenas renovação de nomes. Mudou a distribuição do poder dentro das bancadas que representarão o Paraná a partir de 2027.
E é essa nova correlação de forças — na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional — que deverá influenciar a relação do futuro governo estadual com o Legislativo, a capacidade de articulação do Paraná em Brasília e as disputas políticas dos próximos quatro anos.



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