O mapa eleitoral de Curitiba revela mais do que uma vitória de Flávio Bolsonaro na capital paranaense. Mostra uma mudança na distribuição territorial do voto e um aprofundamento da dificuldade de Lula em avançar sobre o eleitorado curitibano.

Mapa eleitoral de Curitiba mostrando bairros vencidos por Lula em vermelho e por Flávio Bolsonaro em azul

No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro recebeu 628.721 votos em Curitiba, o equivalente a 57,5% dos votos válidos. Lula terminou com 332.099 votos, ou 30,37%.

O número por si só já demonstra uma diferença expressiva. Mas é quando os votos são colocados no mapa dos bairros que o tamanho da vantagem fica ainda mais evidente.

Dos 69 bairros de Curitiba que tiveram seções eleitorais, Flávio venceu em 67.

Lula ganhou apenas no Centro e em São Miguel.

É praticamente uma cidade inteira pintada de azul.

Lula perdeu terreno onde precisava crescer

O dado mais preocupante para o PT não está apenas na derrota. Lula perdeu participação eleitoral em 40 bairros da capital na comparação com 2022.

A maior queda aconteceu justamente em São Miguel, um dos dois únicos bairros que ainda permaneceram com maioria lulista.

Ali, Lula havia alcançado 60% dos votos válidos em 2022. Agora ficou com 47,67%, uma redução de 12,33 pontos percentuais.

Também houve perdas importantes no Campo de Santana, onde a votação caiu 5,10 pontos percentuais, e no Tatuquara, com recuo de 4,88 pontos.

São bairros da periferia de Curitiba. Esse detalhe merece atenção.

Durante muitos anos, a expectativa natural do PT era compensar as dificuldades encontradas nas regiões de renda mais elevada com votações mais fortes nas áreas populares. O resultado de 2026 mostra que essa lógica já não pode mais ser considerada automática.

Flávio cresce em 65 localidades

Enquanto Lula perdeu participação em dezenas de bairros, Flávio Bolsonaro conseguiu melhorar o desempenho do campo bolsonarista em 65 localidades da cidade quando comparado ao resultado obtido por Jair Bolsonaro em 2022.

O maior crescimento aconteceu no Campina do Siqueira, onde Flávio avançou 5,13 pontos percentuais.

No Mossunguê, o crescimento foi de 4,28 pontos e, no Taboão, de 3,97 pontos.

Os maiores percentuais de Flávio apareceram no Umbará, onde chegou a 64,34%, seguido pelo Mossunguê, com 64,18%, e Butiatuvinha, com 63,15%.

Em 14 bairros, Flávio ultrapassou a marca de 60% dos votos válidos.

Isso demonstra que a vantagem não ficou concentrada apenas em um determinado perfil de região da cidade. Ela se espalhou por praticamente todo o território curitibano.

O mapa explica mais do que o placar

Em eleições majoritárias, números gerais são importantes. Mas mapas eleitorais ajudam a entender para onde o eleitor está caminhando.

Curitiba já era uma cidade eleitoralmente difícil para Lula. Em 2026, tornou-se ainda mais difícil.

Lula havia obtido 348.166 votos na capital em 2022. Agora caiu para 332.099 — uma perda superior a 16 mil votos.

No sentido contrário, Flávio Bolsonaro recebeu cerca de 16 mil votos a mais que Jair Bolsonaro havia conseguido quatro anos antes.

Há, portanto, uma movimentação praticamente simétrica: enquanto um lado perdeu aproximadamente 16 mil votos, o outro ganhou quantidade semelhante.

Centro virou uma exceção

Um dos dados mais curiosos do levantamento é o Centro de Curitiba.

Lula venceu o bairro com 46,1% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 43,25%.

Foi uma das duas únicas vitórias territoriais do presidente na cidade.

São Miguel foi a outra, com Lula chegando a 47,67%, contra 40,7% de Flávio.

Mesmo assim, São Miguel também simboliza uma das maiores dificuldades do PT nesta eleição: Lula ganhou o bairro, mas perdeu mais de 12 pontos percentuais em relação a quatro anos atrás.

Ou seja, até onde venceu, perdeu força.

Curitiba manda um recado

A eleição de 2026 mostra que o bolsonarismo não apenas preservou sua força em Curitiba como conseguiu ampliá-la.

E este talvez seja o elemento político mais significativo do resultado.

Flávio Bolsonaro não recebeu apenas os votos tradicionalmente associados ao seu pai. Em boa parte da cidade, conseguiu ampliar esse eleitorado.

O segundo turno ainda terá uma dinâmica própria, com novos apoios, campanhas diferentes e uma disputa nacional mais polarizada.

Mas o mapa de Curitiba deixa um recado difícil de ignorar.

Para Lula, o desafio não é simplesmente conquistar alguns milhares de votos a mais. É romper uma barreira eleitoral que hoje atravessa praticamente toda a cidade.

Para Flávio Bolsonaro, Curitiba já começa o segundo turno como um dos territórios onde sua candidatura entra com vantagem política e eleitoral considerável.

Fonte: levantamento do Bem Paraná com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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